Guia prático para determinar o volume de calda numa pulverização

1 Ago 2022

A determinação do volume de calda é uma etapa crucial na aplicação de produtos fitofarmacêuticos, pois influencia diretamente a eficácia do tratamento e a distribuição uniforme dos produtos sobre as plantas. Para garantir resultados eficazes e evitar sub ou sobredosagens, é essencial calcular o volume de calda de forma precisa, levando em consideração diversos parâmetros.

Neste guia, vamos explorar os principais passos e considerações para determinar o volume de calda com precisão, além de fornecer exemplos práticos e uma análise sobre o tema.

Considerações importantes na determinação do volume de calda

O ajuste do volume de calda em tratamentos fitofarmacêuticos deve corresponder à dimensão do volume de copa (folha/fruto) alvo do tratamento. Culturas mais desenvolvidas exigem volumes de calda maiores, para garantir que toda a área apresente uma deposição de pesticida uniforme, enquanto que culturas com menor desenvolvimento vegetativo requerem volumes de calda menores para evitar possíveis perdas por deriva ou escorrimento.

As culturas que apresentam maiores desenvolvimentos vegetativos, implicam volumes adequados de calda para garantir que a deposição de pesticida seja suficiente. Volumes insuficientes podem resultar em aplicações irregulares, prejudicando áreas da copa de difícil acesso, levando à redução da eficácia do produto fitofarmacêutico.

Além disso, o equipamento utilizado desempenha um papel fundamental. O ventilador, quando presente, deve ser ajustado cuidadosamente para evitar o excesso de volume ou velocidade de ar, que transportam a calda para zonas longe do alvo a tratar. O objetivo é assegurar que a cobertura uniforme em todas as partes da folha e fruto, apresentem uma cobertura uniforme de gotas, para maximizar a eficácia do produto fitofarmacêutico aplicado.

Para calcular o volume de calda de forma precisa, é necessário considerar os seguintes parâmetros:

  • Débito do Pulverizador (D): o débito do pulverizador representa a quantidade de calda que o equipamento é capaz de emitir por unidade de tempo, geralmente expresso em litros por minuto (L/min). Esse valor é fundamental para determinar a quantidade de produto fitofarmacêutico a ser aplicado numa determinada área.
  • Velocidade de Avanço (v): a velocidade de avanço do pulverizador, medida em quilómetros por hora (km/h), influencia diretamente o tempo de aplicação e a distribuição do produto sobre a planta. É importante manter uma velocidade constante durante o processo de pulverização para garantir resultados uniformes.
  • Largura de Trabalho (L): a largura de trabalho do pulverizador corresponde à largura da barra horizontal do pulverizador. Em culturas baixas, esta medida é essencial para cálcular a área coberta pelo pulverizador em cada passagem.
  • Distância Entrelinhas (d): em culturas tridimensionais, como a vinha ou pomares, a distância entrelinha representa o espaçamento entre as plantas na cultura. Esse valor é importante para determinar a quantidade de produto necessária para cobrir toda a área da cultura.

 

Onde:

D, corresponde ao débito do pulverizador (L/min);

v, corresponde à velocidade de avanço (km/h);

L, corresponde à largura de trabalho (metros), em culturas baixas;

d, corresponde à distância entrelinha (metros), em culturas tridimensionais.

Ao utilizar estas fórmulas, é possível determinar o volume de calda necessário para a aplicação, e garantir a eficácia e segurança do tratamento com o pesticida.

Exemplo prático para culturas baixas (cereais)

Suponhamos que estamos a aplicar um herbicida para preparar uma parcela para a sementeira de trigo. O débito do pulverizador é de 14 L/mibn, a velocidade de avanço é de 6 km/h e a largura de trabalho do pulverizador é de 15 metros. Substituindo os valores na fórmula, verificamos que estamos a aplicar um volume de calda de 93,33 L/ha.

Exemplo prático para culturas tridimensionais (pomares e vinhas)

Agora, vamos considerar a aplicação de fungicida num pomar de maçã. Se o débito do pulverizadord é de 32 L/min, a velocidade de avanço é 5,6 km/h e a distância entrelinha do pomar (obtido do compasso de plantação da vinha) é 4 metros. Substituindo os valores na fórmula, verificamos que estamos então a aplicar um volume de calda de 857,14 L/ha.

Conclusão

A determinação precisa do volume de calda é fundamental para garantir a eficácia da aplicação de produtos fitofarmacêuticos na agricultura. Ao seguir os passos e utilizar as fórmulas corretas, os agricultores podem maximizar os resultados dos tratamentos, e reduzir os custos além de proteger as culturas de forma mais eficiente.

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